7 Frases de Einstein Que Ele Realmente Disse (Com Fonte)
A internet está cheia de frases falsas de Einstein. Estas 7 são reais, documentadas — e uma famosa que ele nunca disse.
Sete frases reais de Cora Coralina, com o nome do poema e do livro de cada uma — e uma famosa que ela nunca escreveu.
Cora Coralina começou a publicar aos 76 anos. Antes disso, passou a vida como doceira em uma casa de pedra à beira do rio Vermelho, na Cidade de Goiás. Quando finalmente lançou seu primeiro livro, em 1965, o Brasil descobriu uma das vozes mais terna e teimosamente lúcidas da nossa literatura.
Reunimos abaixo 7 frases que ela realmente escreveu, com o poema e o livro de cada uma — e, no fim, a frase famosíssima atribuída a ela que, na verdade, nunca saiu de sua pena.
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Poema “Exaltação de Aninha (O Professor)”, em Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha (1983)
Provavelmente o verso mais citado de Cora. A beleza está no detalhe: quem ensina também sai mudado pelo encontro. Por isso aparece tanto em formaturas, salas de aula e homenagens a professores.
“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.” Poema “Aninha e suas Pedras”, em Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha (1983)
A palavra-chave é o verbo “recomeça”. Cora não promete que a vida fica fácil — ela ensina o gesto cotidiano de tirar a pedra do caminho, plantar de novo e seguir.
“Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos.” Poema “Assim Eu Vejo a Vida”, em Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha (1983)
Não é autoajuda — é o relato de quem aprendeu sob pressão, criando filhos sozinha e enfrentando a pobreza por décadas antes do reconhecimento literário chegar.
“A vida tem duas faces: positiva e negativa. O passado foi duro, mas deixou o seu legado. Saber viver é a grande sabedoria.” Mesmo poema “Assim Eu Vejo a Vida”, em Vintém de Cobre (1983)
Cora não nega a dor: ela a recoloca. O passado duro não desaparece — vira legado, matéria-prima de sabedoria.
“Nasci em tempos rudes. Aceitei contradições, lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo. Aprendi a viver.” Trecho final do poema “Assim Eu Vejo a Vida”, em Vintém de Cobre (1983)
É o fecho do mesmo poema-testamento das duas frases anteriores — escrito quando Cora já passava dos 90 anos. As “pedras” são uma imagem que volta o tempo todo na obra dela, provavelmente porque cresceu pisando os calçamentos de pedra dos becos de Goiás.
“Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo. (…) Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem feito. (…) Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária.” Poema “Todas as Vidas”, em Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (1965)
Um dos poemas mais bonitos da literatura brasileira sobre identidade feminina. Cora se reconhece em todas — a roceira, a cozinheira, a mulher do povo — sem hierarquia.
“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher.” Em Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha (1983)
Quase um resumo do projeto de vida dela. Cora demorou a chegar — e usou a demora como prova de que o caminho é mais importante do que a largada.
“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”
Essa é talvez a frase mais compartilhada nas redes com o nome de Cora Coralina — e não está em nenhum livro dela. Pesquisadores que catalogaram a obra completa da poeta confirmam: o texto não aparece em “Poemas dos Becos de Goiás”, nem em “Vintém de Cobre”, nem em “Meu Livro de Cordel”, nem nas “Estórias da Casa Velha da Ponte”. A autoria verdadeira é desconhecida — circulou por anos em mensagens de e-mail nos anos 2000 e foi colando no nome dela.
Regra simples: se a frase soa motivacional demais e ninguém consegue dizer de qual poema ou livro ela vem, desconfie. Cora era poeta — quase tudo que ela escreveu tem ritmo, tem verso, tem cheiro de cozinha de fogão a lenha. Frase chapada de PowerPoint, não.
Para ler mais sobre a obra da goiana, vale visitar o Museu Casa de Cora Coralina, na Cidade de Goiás, instalado na casa onde ela viveu até os 95 anos. Ou explorar outras frases verificadas em nossa editoria de frases.
Política da Revista Destaque: toda citação publicada aqui tem fonte documentada. Quando uma frase popular é de atribuição incerta ou falsa, avisamos o leitor. Saiba mais na nossa política editorial.
Cora Coralina é o pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889–1985), poeta e doceira goiana. Publicou seu primeiro livro, 'Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais', em 1965, aos 76 anos, e tornou-se uma das vozes mais queridas da literatura brasileira.
É um trecho do poema 'Aninha e suas Pedras', publicado em 'Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha', de 1983. O verso completo diz: 'Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.'
Não. A frase 'Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar' é muito compartilhada com o nome dela nas redes sociais, mas não aparece em nenhum de seus livros. A autoria verdadeira é desconhecida.
Em vida, publicou quatro: 'Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais' (1965), 'Meu Livro de Cordel' (1976), 'Vintém de Cobre — Meias Confissões de Aninha' (1983) e 'Estórias da Casa Velha da Ponte' (1985). Outros saíram postumamente.
Aida P. · Colaboradora sênior
Colaboradora sênior da Revista Destaque. Especialista em cultura, memória pop das décadas passadas e grandes personagens da história.
A internet está cheia de frases falsas de Einstein. Estas 7 são reais, documentadas — e uma famosa que ele nunca disse.
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